Eu cresci numa aldeia. Ir ao mercado era o normal. Não se compravam frutas e legumes no supermercado, mas sim na banca daquela senhora que conhecemos desde sempre. Talvez seja por isso que gosto tanto de mercados. Do cheiro do peixe com as frutas e legumes, das vozes altas, da confusão.
Este fim-de-semana decidimos trocar de mercado. Eu sei, não é a opção mais ética. Quando se fazem compras no mercado há uma relação de amizade com a banca onde vamos todas as semanas, com o senhor onde se compram os queijos. Há um ritual. Mas porque não aproveitar uma visita a Lisboa para mudar de ares?
Foi o que fizemos. Escolhemos o bairro onde passei os anos de faculdade e lá fomos nós. Tenho a dizer que o Mercado de Alvalade está lindo. Mesmo.
Muitas bancas estavam fechadas por causa das férias, mas as que estavam abertas deixaram-me fascinada. A diversidade de produtos é incrível. Senti que estava num daqueles mercados de Londres que o Jamie Oliver apresenta nos seus programas tal era a variedade de produtos. Tinha um bocadinho de tudo. Caril, cogumelos frescos, marisco, peixe, queijo, ovos caseiros, pão, pimento italiano, uvas, morangos e mais um sem fim de coisas. Talvez tenha esta sensação porque estou acostumada a ir a um mercado mais pequeno, só com os produtos tipicamente portugueses e sem bancas de peixe, mas fiquei fascinada com esta descoberta.
O mercado está animado. As pessoas são simpáticas, tanto os vendedores como os clientes, e dá vontade de ficar por lá. Beber um café, comer um pão com manteiga e aproveitar a manhã de sábado com calma. Sem a pressa de voltar para casa ou de despachar as mil e uma coisa que temos sempre em lista de espera.
Depois de um passeio pelo mercado e de espreitar as bancas todas decidimos fazer as nossas compras. Fomos muito bem recebidos. Tão bem recebidos que saímos de lá com três sacos de duas bancas diferentes. Meia melancia a que não consegui resistir depois da senhora me dar um bocadinho para provar (sou uma vendida a estes pormenores) e dois sacos com cheirinhos que ofereceram numa das bancas. Tenho salsa e coentros (se calhar dava jeito descobrir qual é qual). Também trouxemos um caril com um cheiro fantástico, tomate seco e ananás desidratado.
Para a semana volto ao mercado habitual e à banca onde já me conhecem os gostos, mas um dia destes faço outra visita a Alvalade. Aliás qualquer desculpa é boa para lá voltar.
E vale a pena tirar uns minutos para ler a informação sobre o mercado e sobre quem está atrás das bancas. Em alguns casos são a terceira geração a trabalhar ali e algumas famílias têm duas bancas. Temos a sensação que estamos no meio de uma grande família e isso é tão bom.




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