segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

As colecções de botões das avós...



Por vezes, em casa das avós, descobrimos no fundo dos armários pequenas caixas guardadas com se de tesouros se tratassem. 

Dentro do armário que estava no corredor de casa dos meus avós, entre papel de embrulho de vários natais pronto a reutilizar e entre edições antigas de revistas que anunciavam escavações no túmulo de Tutankamon ou que Simone de Oliveira ganhava o Festival da Canção, estavam guardadas duas pequenas caixas de cartão, gastas e bambas e duas mais pequenas caixas de metal, uma de chocolates Quality Street e outra de uns rebuçados franceses, dentro das caixas mais uma caixa de pó de arroz e outra de Velutina Balsámica Marya e depois botões, elásticos, linhas, mas muitos e extraordinários botões. 
Quando um casaco ficava velho e ia para o lixo, tiravam-se os botões para se poderem aproveitar numa outra qualquer peça de roupa mais tarde, e daqui e dali ia-se ficando com uma colecção de botões das mais variadas cores, dos mais estranhos feitios. 
A colecção aí está, guardada, porque a moda não passa, volta. 







quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Continuando pelo Alentejo

São quilómetros de campos cultivados e arranjados em que não se encontra ninguém na estrada. É assistir ao pôr-do-sol durante a viagem sem pressas para chegar. Basicamente, é respirar e aproveitar.

Redondo
A caminho de Évora fizemos uma pequena paragem no Redondo. Pequena mesmo. A luz do dia já estava a terminar e estava muito frio, mas valeu a pena. O caminho até à igreja matriz, com uma paragem para aproveitar a vista, as cadeiras à porta das lojas de produtos tradicionais e a calma de uma vila alentejana ao fim do dia. Vale muito a pena a pequena paragem.




Évora
É sempre bom voltar a Évora, mas acaba sempre por confirmar que o meu sentido de orientação às vezes decide tirar férias. Chegámos de noite, a desesperar por deixar tudo no hotel e procurar um bom restaurante para jantar, mas ainda demos umas quatro voltas à praça até encontrar o hotel. Estava à nossa frente.
Deixámos tudo no hotel e corremos para o centro da cidade. Andámos muito, mesmo com o frio que se fazia sentir, parámos num restaurante simpático e com a melhor comida possível e ainda trocámos dois dedos de conversa com o dono. O restaurante, "O Sobreiro" fica perdido numa rua de Évora, mas aconselhamos a que o descubra. E prove a sopa de tomate, é daquelas que aquece a alma.




Arraiolos
No dia seguinte, depois de uma manhã em Évora, saímos sem destino novamente. Acabámos em Arraiolos a experimentar uns deliciosos pasteís de Toucinho e a aproveitar a vista do Castelo de Arraiolos. Sem dúvida a vista mais bonita da viagem.



Foi uma viagem de procura de wi-fi para marcar quartos. De muitos quilómetros a aproveitar a vista. Com Morrissey e Sérgio Godinho como banda sonora. E algum frio. Muito mesmo. Mas com a descoberta de sítios lindos que convidam a ficar. 

Voltámos a casa a planear a próxima viagem. Sem marcações, à descoberta.

domingo, 4 de janeiro de 2015

As primeiras paragens no Alentejo

A única coisa que estava decidida antes da viagem era o sítio onde começava e o tempo que queríamos estar fora. Quatro dias, três noites, primeira paragem em Reguengos de Monsaraz. Marcámos a primeira noite com antecedência, mas a partir daí corríamos o risco de voltar para casa mais cedo. 

Reguengos de Monsaraz
A viagem para Reguengos foi feita durante a tarde com Sérgio Godinho como banda sonora. Chegámos ao hotel já de noite, mas ainda aproveitámos para dar uma volta a pé pela cidade.

Ficámos no Hotel Solar do Alqueva, o único que marcámos com antecedência, e revelou-se uma boa escolha. Atendimento simpático, wi-fi gratuita nos quartos e ficava mesmo no centro da cidade o que facilitou o passeio a pé assim que chegámos.

Monsaraz
O segundo dia foi marcado pelo frio e pelo nevoeiro. As mãos gelavam, o nariz ficava vermelho e a estrada mal se via. Continuámos a nossa viagem com a vila de Monsaraz como destino, mas antes de chegarmos fizemos um desvio e encontrámos, perdido no meio do nada e escondido no nevoeiro, o convento que pertence à Fundação Convento da Orada. Com o nevoeiro, o convento fechado e imponente e o local completamente vazio quase que parecia que estávamos num filme de terror. Mas não deixou de ser uma descoberta lindíssima. 



Em Monsaraz, parámos no primeiro café. Estava frio, precisávamos de aquecer e a simpatia da Casa Tial convidava a entrar e beber um café. A simpatia dos donos da casa, dois franceses que trocaram a loucura de Paris pela pacatez de Monsaraz, e o aspecto rústico e acolhedor do café convida a entrar e ficar. A não perder. 
Depois de aquecer e trocar dois dedos de conversa com os donos do café continuámos a passear pela vila. É bonita, pacata, com casas brancas e baixinhas, pessoas simpáticas e uma igreja lindíssima. Vale a pena a visita e é óptimo para recuperar energias. Mas, para prevenir, é melhor levar um casaco pesado, chapéu e luvas. O dia estava mesmo frio.





Saímos de Monsaraz já perto da hora de almoço e, por muito bonito que seja viajar sem destino pelo Alentejo, essa decisão revelou-se numa procura (quase desesperada) por um sítio onde almoçar pelo caminho. 

Alandroal
Decidimos parar no Alandroal para almoçar. Já estávamos quase fora da hora de almoço e acabámos por escolher o restaurante "A Chaminé" onde nos serviram uma deliciosa Açorda Alentejana. Com pão alentejano, ovo, imensos coentros e bem quente como o tempo pedia. Afinal a ideia de sair para a estrada na hora de almoço sem destino não se revelou uma má escolha. 




Ainda passámos por Redondo, Évora, Arraiolos e Avis, mas isso fica para os próximos posts :)

Até já.

Domingo de descanso

Terminam as festas e ficam as resoluções de ano novo. As resoluções e os bolos que sobraram das celebrações. Agora é tempo de descansar, acender a lareira porque lá fora está um frio terrível, aproveitar para torrar o bolo rei que sobrou e acompanhar com um bom chá preto.

Bom domingo. :)


sábado, 3 de janeiro de 2015

A matar saudades do Alentejo

Quando estivemos em Évora comemos uma Sopa de Tomate maravilhosa no restaurante "O Sobreiro". Um pequeno restaurante com ar familiar, atendimento simpático e uma sopa que nos deixou encantados.
Hoje, no rescaldo das comemorações das últimas semanas e com o frio que se faz sentir, decidimos reviver um bocadinho do calor Alentejano e fazer a nossa versão da Sopa de Tomate. Conseguimos reviver um bocadinho do sabor do Alentejo e a sopa é tão reconfortante que ajudou-nos a combater o frio.


A receita base da sopa encontrámos no livro"Tesouro da Cozinha Regional" da Maria Odette Cortes Valente na secção de receitas do Alentejo. Esta é a receita original:

Sopa de Tomate

650gr de tomate
1 cebola grande
2 dentes de alho
1 folha de louro
1 pimentão verde
2 litros de água
200gr de pão tipo caseiro duro
2 ovos
1 ramo de oregãos
sal

Leva-se ao lume, num tacho, o azeite com a cebola, os dentes de alho, a folha de louro, o pimentão aos quadrados e os tomates, limpos de pele e sementes, cortados aos bocados.
Tempera-se com sal e oregãos. Coze até o tomate ficar mole. Passa-se pelo passe-vite. Deita-se água quente e volta ao lume para apurar. Batem-se os ovos e, quando a sopa estiver em ebulição, deitam-se os ovos em fio. Serve-se sobre fatias de pão.

Nós alterámos a receita e juntámos batata, tirámos os oregãos e cozemos os ovos na sopa, por exemplo. Esteja à vontade para inventar também e aproveite estes dias frios para fazer esta sopa. Aquece-lhe a alma.

Diga-nos como correu a experiência.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Viajar Sem Rede


Antes da passagem de ano, decidimos dar uma volta pelo Alentejo, alguns dias sem destino e sem rumo, sem hotéis marcados, sem horas, sem regras e sem qualquer imposição. 
Levámos na bagagem os nossos smathphones e o tablet o que nos permitiu aceder rapidamente e em qualquer lugar à internet e poder descobrir os hotéis mais perto, os restaurantes abertos e os locais a visitar. Actualmente com ferramentas como o Yelp, o Tripadvisor ou o Booking.com, torna-se fácil saber o que há à nossa volta. É bom chegar a Évora, Arraiolos, Avis ou ao Redondo, pegar no telefone e ter na ponta dos dedos, os restaurantes, cafés, os hotéis, pensões, pousadas, os locais de interesse, etc. É pena que Portugal ainda esteja tão atrasado no que respeita a este tipo de ferramentas disponíveis on-line, por exemplo a simpática Pensão Ordem de Avis, onde ficámos em Avis, não estava em nenhuma destas aplicações, foi no site da Câmara Municipal que a descobrimos, portanto, mesmo com tudo isto é bom consultar o site das Câmaras Municipais e das Juntas de Freguesia dos locais que se visita e fomentar a actualização dos negócios nestas aplicações. 
Outra questão que também se coloca é a de ter muito cuidado com as críticas que estas ferramentas permitem... Encontrámos um restaurante em Évora de que gostámos muito e as criticas no Tripadvisor não podiam ser mais dispares, nós fizemos o nosso próprio comentário que está lá para ser lido e cada um de nós deve ter a sua própria opinião. Leia, espreite o aspecto, veja a ementa e decida, não deixe que outros decidam por si, foi o que nós fizemos e correu bem.