Ao lado do Mosteiro da Batalha existe uma loja daquelas em que apetece comprar tudo. Pratos tradicionais, mantas feitas à mão, as famosas andorinhas, um sem fim de produtos que honram as tradições portuguesas do artesanato e um atendimento simpático e que nos deixa à vontade para ver tudo.
No meio de tanta coisa encontrei um artigo que pode passar despercebido à maior parte das pessoas, mas a mim lembra-me a minha avó.
Cresci numa aldeia onde há quarenta anos atrás a maior parte das pessoas tinham uma vida muito difícil. Eram pobres, trabalhavam de sol a sol em trabalhos pesados e iam a pé para todo o lado. Se tivessem sorte havia uma bicicleta, propriedade do homem da casa, mas nada mais do que isso.
Se era preciso ir às compras ou para o trabalho o caminho era feito a pé, fizesse sol ou chuva. As cestas, carregadas com as compras ou com o material necessário para a apanha do tomate ou para a vindima, eram levadas à cabeça com um equilíbrio que sempre me impressionou. A proteger a cabeça do peso das cestas levavam uma rodilha ou sogra. Feita em casa, com tecidos que sobravam dos trabalhos de costura que iam fazendo, era aquela argola de tecido que as protegia durante o caminho.
Quando falei à minha mãe nesta descoberta ela prometeu-me que fazia uma sogra igual às que a minha avó tinha. Fico à espera para juntar as duas na minha secretária como recordação das tradições de outros tempos.
Esta rodilha (com tecidos mais coloridos do que os que eram usados pela minha avó e pelas senhoras aqui da aldeia) encontrei-a na Loja do Caminho, na Batalha. Vale a pena a visita.

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